Doenças Cardiovasculares
09/01/2010,
09:23

• OS FATORES DE RISCO
As doenças cardiovasculares são nos dias de hoje, uma preocupação mundial. Direta ou indiretamente são as responsáveis por elevado número de mortes, aproximadamente 50%, em todos os países, em particular nos grandes centros urbanos. Prevenir as doenças cardiovasculares tem que ser meta prioritária e permanente. Os estudos mostram que aqueles que sofreram Infarto do Miocárdio e Acidentes Vasculares Cerebrais (derrames cerebrais), geralmente apresentavam um ou mais “fator de risco”, tais como:
* Hipertensão Arterial
* Colesterol e Triglicérides com níveis elevados no sangue
* Tabagismo
* Obesidade
* Sedentarismo
* Diabetes
* Stress
* Fatores Genéticos
* Síndrome Metabólica
Infarto do miocárdio

• HIPERTENSÃO ARTERIAL
A Hipertensão Arterial tem sido associada a uma incidência aumentada de ataques cardíacos e derrames cerebrais. Estima-se que 20% da população adulta apresentam Hipertensão Arterial. Quando a hipertensão está associada a outras condições, tais como: obesidade, tabagismo, altos níveis de colesterol ou diabetes, o risco de infarto do miocárdio e derrame cerebral multiplica-se várias vezes. Em muitas pessoas a pressão arterial elevada pode permanecer assintomática durante muitos anos, por isto é chamada de “assassina silenciosa”. Esta é uma das mais importantes razões para se fazer exames médicos periódicos. A Hipertensão Arterial tem origem familiar em aproximadamente 90% dos indivíduos hipertensos e o seu tratamento consiste fundamentalmente na diminuição da ingestão de sal, redução de peso corporal e medicamentos. Na maioria das pessoas a pressão alta não tem cura, necessitando de um tratamento de manutenção por toda a vida, com o objetivo de evitar complicações graves com o infarto do miocárdio e o derrame cerebral.
• TABAGISMO
O fumo é um dos piores inimigos para o seu coração. São as estatísticas que demonstram estar o vício do fumo sempre ligado à maior incidência das doenças das artérias coronárias, com todas as suas complicações – angina de peito, infarto do miocárdio e morte súbita. O perigo aumenta de acordo com a quantidade de cigarros fumados e com o número de anos em que eles são consumidos. O tabaco age sobre o coração, principalmente através da nicotina e do monóxido de carbono. Acelera os batimentos. Contrai os vasos sangüíneos. Lesa o revestimento interno das artérias coronárias. Diminui o aproveitamento do oxigênio nos diversos tecidos do organismo, principalmente no próprio músculo cardíaco e aumenta a coagulabilidade do sangue. O abandono do vício do fumo diminui sensivelmente a probabilidade do aparecimento de doenças do coração.
• COLESTEROL
As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de mortalidade, de aposentadoria por invalidez e de licença temporária do trabalho. Entre as doenças cardiovasculares, as de maior incidência são a Doença Arterial Coronariana, que se traduz pela insuficiência da irrigação sangüínea ao coração através das artérias coronárias e o Acidente Vascular Cerebral. O aumento dos níveis de Colesterol no sangue causa a obstrução das artérias, chamada de “Aterosclerose”, levando ao aparecimento de Angina de Peito, Infarto do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e Morte Súbita.
O conhecimento dos níveis de colesterol sangüíneo circulante é de extrema importância para a prevenção do Infarto do Miocárdio e do Acidente Vascular Cerebral, notadamente quando sabemos que em torno de 40% da população adulta brasileira tem níveis elevados de colesterol no sangue. É necessária a medição do colesterol periodicamente em todos os indivíduos adultos, sendo desejável manter estes níveis abaixo de 200mg%. Acima de 240mg%, há alto risco para o aparecimento de ataque cardíaco, quando medidas preventivas terão que ser tomadas, variando desde orientação alimentar e atividade física até o tratamento medicamentoso.
Alem do colesterol total existem duas frações chamadas HDL colesterol (bom colesterol), que serve como elemento de proteção vascular e o LDL colesterol (mau colesterol), que funciona como elemento que favorece a obstrução das artérias, causando a aterosclerose (doença obstrutiva das artérias).
Os Triglicérides representam um tipo de gordura presente no sangue, que em níveis elevados, acima de 150mg%, predispõem ao aparecimento de doença aterosclerótica. Os níveis elevados de triglicérides geralmente estão associados à ingestão de alimentos gordurosos, carboidratos (açúcar, doces e massas), alem da ingestão excessiva de álcool.
• STRESS
A vida moderna trouxe o “stress” ou tensão emocional, resultante de situações de pressão e exigências no nosso dia-a-dia no trabalho, em casa e nas relações com as pessoas. Para os indivíduos que têm “problema de coração” ou “pressão alta”, o “stress” pode agravar a doença e dificultar o tratamento. Se não podemos eliminar o “stress” das nossas vidas, devemos aprender a administrá-lo. Procure programar suas atividades, dividindo responsabilidades e reservando tempo para o lazer, convívio com os amigos e a família. Evite o cigarro, o café e o álcool em excesso. Busque orientação médica.
• OBESIDADE
Aproximadamente 32% da população brasileira encontra-se acima do peso corpóreo ideal. Comprovadamente a redução do peso provoca a diminuição dos níveis elevados de Colesterol e da Pressão Arterial. Assim, conseqüentemente, a obesidade – qualquer que seja a sua causa determinante – é fator preponderante para o aparecimento e progressão da aterosclerose e de todas as suas complicações cardiovasculares. Dessa maneira, deve ser combatida, atacando-se as suas causas com dieta apropriada e exercícios físicos regulares, destacando-se as atividades aeróbicas (caminhar, nadar, correr, ciclismo, hidroginástica, etc.) pelo menos três vezes por semana, com a devida adequação a cada pessoa, mas sempre sob orientação médica.
A “obesidade abdominal” tem sido considerada, como um marcador importante, como fator de risco para o aparecimento do Infarto do Miocárdio, sendo estabelecido como limites máximos para os homens uma circunferência abdominal de 94 cm e para as mulheres 80 cm.
• SEDENTARISMO
A própria Organização Mundial de Saúde indicou o combate ao sedentarismo como fator da mais alta prioridade na prevenção da aterosclerose e das doenças a ela relacionadas. Isso porque a vida sedentária não só leva ao aumento da obesidade como também provoca uma diminuição na capacidade física no trabalho. Dessa maneira, exercícios físicos bem orientados e praticados com regularidade, reduzem não só o peso corporal como também colaboram para a diminuição dos níveis de gorduras circulantes no sangue e da sua pressão arterial.
• DIABETES
Admite-se hoje que a existência de diabetes em adultos está sempre associada ao aumento das doenças cardiovasculares. Assim, a prevenção e o tratamento do Diabetes é fator primordial para se evitar a progressão das doenças cardiovasculares, já que está comprovada a estreita associação deste distúrbio metabólico com outros fatores de risco, como obesidade, níveis elevados de gorduras no sangue e hipertensão arterial, bem como o seu efeito maléfico sobre a função do músculo cardíaco e o aparecimento da doença aterosclerótica. Estima-se que 7,5% da população adulta brasileira, seja portadora de Diabetes.
• FATORES GENÉTICOS
Uma pessoa cujos pais ou avós sofriam do coração, em princípio pode estar mais predisposta que as outras – embora não obrigatoriamente – a ter o mesmo problema. É a isto que se chama de hereditariedade, os fatores genéticos que um filho herda de seus pais. Nesses casos, o único caminho é o do cuidado para se evitar que este fator de risco latente, se una aos demais para desencadear ou aumentar uma doença cardiovascular.
• SÍNDROME METABÓLICA
A Síndrome Metabólica é um conjunto de manifestações Clínicas e Laboratoriais, tais como a Obesidade Abdominal, Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus e Colesterol com níveis sanguíneos indesejáveis, que favorecem o aparecimento de Doenças Cardiovasculares. Estima-se que aproximadamente 30% da população adulta, seja portadora de Síndrome Metabólica.

Outros exames laboratoriais adicionais poderão ser realizados para melhor avaliação do Risco Cardiovascular Global, tais como: Colesterol total, LDL-colesterol, Creatinina, Ácido úrico, Microalbuminúria, Proteína C reativa ultrasensível, Homocisteína, TOTG (glicemia de jejum e após duas horas da ingestão de 75g de dextrosol), Teste Ergométrico e Ecocardiograma. A presença de LDL aumentado não faz parte dos critérios diagnósticos da Síndrome Metabólica, porém, frequentemente, os pacientes portadores de resistência à insulina e Síndrome Metabólica apresentam aumento da fração do LDL-cotesterol que tem um potencial aterosclerótico maior.